Com plena consciência de estar a fazer uma afirmação redutora, digo sem pruridos que a Marginal é possivelmente uma das mais bonitas estradas do mundo. É claro que o número de estradas que eu conheço é ínfimo, se considerarmos a imensidão de vias por esse mundo fora. Mas não interessa. Esta é nossa, é magnífica e está a dois passos de Lisboa. Ora vejam...
O céu da tarde estava com uma limpidez pouco habitual por estas bandas e a visibilidade para os dois lados da Marginal era quase perfeita. Apesar de estar tão perto, raramente vou a Cascais e sempre que lá vou arrependo-me de o não fazer com maior frequência.
As nuvens carregadas para os lados da Serra de Sintra deixavam antever que os dias seguintes seriam menos gloriosos do que o de ontem. Uma boa oportunidade, portanto, para apreciar o caminho e a baía em todo o seu esplendor.
Passeámos um pouco pela vila mas a America's Cup, que está a ter lugar até hoje, encheu as ruas de gente e as fotografias que tirei não captam como deve ser a beleza do lugar. Por isso, ficamo-nos apenas pela baía que, com confusão ou sem ela, dificilmente dá origem a más fotografias.
Apesar de a partir do século XIX se ter tornado numa estância balnear de eleição, Cascais mantém bem apertados os seus laços com o mar, não renegando o seu passado de vila piscatória. A qualidade do peixe oferecido é, aliás, um ponto de honra dos restaurantes que proliferam pelas suas ruas. Outra das teimosias de Cascais é recusar-se a ser cidade. O seu estatuto de vila é algo que se tem mantido ao longo dos séculos e, parece-me, faz parte da imagem de marca que os locais querem preservar.
Com a barriga cheia daquilo que nos levou a Cascais na tarde de ontem, despedimo-nos então da baía, que ia já sendo banhada pela luz do fim do dia, e voltámos à Marginal. Em movimento, é mais fácil fotografar o caminho na viagem de regresso e, assim, tentar provar a tese que apresentei no início do post.

Posto isto, digam-me com sinceridade: é ou não uma das estradas mais belas do mundo?


