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domingo, 20 de maio de 2012

Do Guincho ao Inferno

Ontem fiz finalmente um passeio fotográfico! Quantas saudades! Hoje não vou mexer-me por causa disso mas como chove lá fora, está um bom dia para ficar em casa sossegada. Foi o último dia do curso de técnica fotográfica que me tomou os últimos dois meses e nada como ir fotografar para acabar em beleza. Tive a sorte de ficar numa turma impecável e com um professor sempre disposto a ensinar-nos mais e mais. Apesar do tempo instável, fomos para a zona do Guincho. Começámos pela Praia do Abano e, não ligando às nuvens ameaçadoras que pairavam sobre as nossas cabeças, lá nos aventurámos de tripé às costas e câmeras em punho. 



O areal estava praticamente deserto, com excepção de um casal de namorados e um pequeno grupo de amigos. Foi por isso engraçado ver onze corpos semi-curvados sobre onze tripés, envolvidos por areia, mar, rocha, pedras e uma maresia que apesar de nos secar a boca, sujar as objectivas e entranhar-se nos ossos, me deu aquela sensação de força e liberdade que uma praia no Inverno consegue tão bem transmitir. 


Rapidamente a nuvem cinzenta descarregou a sua fúria, levando para outras paragens os nossos companheiros de praia. Nós aguentámos estoicamente por baixo de umas rochas e, minutos depois, tinhamos uma areia muito mais lisa e uma luz muito mais clara para continuarmos a fotografar.



Do Abano fomos para o Guincho. Sentámo-nos um pouco na esplanada a apreciar o calor do sol que então brilhava e para retemperar energias, mas rapidamente veio a vontade de irmos para o areal fotografar os kite surfers que por ali andavam...





... indiferentes à chuvada que fustigava o mar e rapidamente se aproximava de nós...




É claro que a praia não era apenas dos kite surfers...


O frio e a chuva acabaram por levar a melhor, por isso resolvemos ir aguardar o anoitecer na Boca do Inferno, onde pelo menos havia algum abrigo. 


Apesar do frio que fazia junto ao mar, as rochas estavam cheias de pescadores quase indiferentes aos elementos e ao lento passar do tempo e, talvez, à beleza de uma paisagem que fará certamente parte do seu dia-a-dia.



Quando anoiteceu, conseguimos finalmente fazer algumas experiências fotográficas mais arrojadas...


Não foi porém um anoitecer daqueles em que o céu se tinge de mil cores e que nos dá fotografias memoráveis. Estava um céu demasiado fechado para isso. Mas não deixou por isso de ser um bom momento...


O fim do passeio foi (creio) na Baía de Cascais. Infelizmente não consegui aguentar até lá, com uma grande pena minha. Deve ter dado grandes fotografias... Mas a exaustão tomou conta de mim e só tive forças para conduzir de volta para casa. Significa isso que em breve terei que voltar para desfazer este pequeno senão num dia perfeito. 

domingo, 14 de agosto de 2011

Provavelmente, uma das mais belas estradas do mundo

Com plena consciência de estar a fazer uma afirmação redutora, digo sem pruridos que a Marginal é possivelmente uma das mais bonitas estradas do mundo. É claro que o número de estradas que eu conheço é ínfimo, se considerarmos a imensidão de vias por esse mundo fora. Mas não interessa. Esta é nossa, é magnífica e está a dois passos de Lisboa. Ora vejam...


O céu da tarde estava com uma limpidez pouco habitual por estas bandas e a visibilidade para os dois lados da Marginal era quase perfeita. Apesar de estar tão perto, raramente vou a Cascais e sempre que lá vou arrependo-me de o não fazer com maior frequência.


As nuvens carregadas para os lados da Serra de Sintra deixavam antever que os dias seguintes seriam menos gloriosos do que o de ontem. Uma boa oportunidade, portanto, para apreciar o caminho e a baía em todo o seu esplendor.


Passeámos um pouco pela vila mas a America's Cup, que está a ter lugar até hoje, encheu as ruas de gente e as fotografias que tirei não captam como deve ser a beleza do lugar. Por isso, ficamo-nos apenas pela baía que, com confusão ou sem ela, dificilmente dá origem a más fotografias. 


Apesar de a partir do século XIX  se ter tornado numa estância balnear de eleição, Cascais mantém bem apertados os seus laços com o mar, não renegando o seu passado de vila piscatória. A qualidade do peixe oferecido é, aliás, um ponto de honra dos restaurantes que proliferam pelas suas ruas. Outra das teimosias de Cascais é recusar-se a ser cidade. O seu estatuto de vila é algo que se tem mantido ao longo dos séculos e, parece-me, faz parte da imagem de marca que os locais querem preservar.


Com a barriga cheia daquilo que nos levou a Cascais na tarde de ontem, despedimo-nos então da baía, que ia já sendo banhada pela luz do fim do dia, e voltámos à Marginal. Em movimento, é mais fácil fotografar o caminho na viagem de regresso e, assim, tentar provar a tese que apresentei no início do post.



Posto isto, digam-me com sinceridade: é ou não uma das estradas mais belas do mundo?

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