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domingo, 10 de fevereiro de 2013

Entre Campos


Há mais de um ano que planeava fazer este passeio, a começar no Campo Grande e a terminar no Campo Pequeno. No último fim-de-semana consegui finalmente fazê-lo. Sabia de antemão que me iria deprimir quando entrasse no Jardim do Campo Grande, completamente ao abandono. É certo que a imagem que tenho da minha última visita "em vida" (do espaço, claro está) era já de algo decadente e sujo, à beira de perder os seus últimos visitantes. Foi então com surpresa que descobri que, finalmente, as obras de requalificação estão a avançar. Bem, pelo menos a parte norte do jardim está vedada e os trabalhos parecem estar em curso. De acordo com este texto, o processo terá tido início em Agosto e deveria durar sete meses, se bem que não me tenha parecido que haja ali apenas um a dois meses de trabalho pela frente. Espero estar enganada.

A parte sul do jardim, no entanto, está bem arranjada. Tirando a antiga piscina, abandonada, mas que parece também em vias de recuperação, tudo está limpo e relativamente arranjado -, com um denso arvoredo que nos isola dos ruídos de uma das zonas com mais trânsito de Lisboa.




Nunca tinha vindo a esta zona do jardim, por isso foi com grande surpresa que me deparei com este lago cuja existência desconhecia. E, digo-vos, é muitíssimo bem frequentado pelos senhores que se seguem...



É claro que nada nos prepara para a bizarria desta estátua, literalmente retirada de um cartoon do SAM (um dos seus últimos trabalhos) e apelidada de Infância.


Uma das coisas que mais me surpreendeu foi a quantidade de pessoas a correr e a andar de bicicleta. A ciclovia ajuda, claro! Era tão bom que se estendesse a todas as zonas de Lisboa...


E é assim, num instante, que se chega à Praça de Entrecampos, onde reina o Monumento aos Heróis da Guerra Peninsular.


Seguindo em frente, a estação de Entrecampos paira sobre as nossas cabeças, escondida pela sua armadura ondulante.


A Avenida da República, ampla, abre-se com poucos carros, algo impensável durante a semana, iluminada pelo sol de inverno reflectido no asfalto molhado.
   

Ao entrar no Campo Pequeno, dou de caras com um mercadinho biológico, mais pequeno do que o do Príncipe Real mas, ainda assim, muito acolhedor.



A Praça de Touros ergue-se imponente deixando-me, como sempre, dividida. Como pode um edifício tão espantoso ter sido desenhado para acolher algo como uma tourada? 



Felizmente, nem só de touradas vive o Campo Pequeno e na quinta-feira lá estarei para o concerto de um dos meus grupos favoritos. Há quase três anos que não vou a um concerto, mas a este não poderia faltar.



Estava na hora de voltar. A Avenida da República prima por ter prédios e palacetes magníficos, lado a lado com outros perfeitamente horríveis, infelizmente. 


Já perto do Campo Grande, ergue-se a Biblioteca Nacional, imponente. Fica a promessa de uma visita a breve trecho.


E assim voltei ao ponto de partida, a Cidade Universitária, com a alameda forrada a verde. Foi um belo passeio. Espero que as obras da parte norte do jardim não se eternizem como tantas outras na nossa cidade...

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Nas nuvens


Hoje fui fazer um exame médico perto do Campo Pequeno, de manhã bem cedo. Como sabia que iria ter que fazer tempo até à hora marcada, pareceu-me uma boa oportunidade para tirar umas fotografias, que é sempre mais simpático do que estar na sala de espera de uma clínica. Assim, lembrei-me de levar a máquina, o que foi um verdadeiro golpe de sorte.



O jardim que circunda a praça de touros estava magnífico, a começar a agitar-se com os que o atravessam distraidamente na sua rotina matinal, os residentes a passear os cães, tudo e todos rodeados pela nuvem que hoje decidiu visitar Lisboa.




As árvores, despidas, tiritavam de frio, mas pareciam também elas deslumbradas pela beleza daquele momento. Eu fiquei, apesar de ter tiritado também. Senti-me, ali e então, personagem de um livro de Zafón. 

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